“SLAM: Voz de levante”! Rápido demais para ser capturado pelo sistema

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Se o público tem procurados salas de cinema cada vez mais tecnológicas e dispostas a oferecer novas experiências, o que dizer de um filme que cria uma “"zonas autônomas temporárias" de tempo e espaço? Mais do que uma promessa, essa é sensação que o público tem ao assistir “Slam, voz de levante”, de imergir em uma realidade nova, que se inicia na primeira palavra e se encerra na última frase do slammer.

O longa foi dirigido por Roberta Estrela D'Alva e Tatiana Lohmann, ganhou o prêmio especial do júri e de melhor documentário no 19º Festival do Rio, além de ser eleito o melhor filme nacional no Festival Internacional de Mulheres no Cinema (2018). A Agenda da Periferia conversou com Roberta. Ele conta que o filme nasceu, após ele e Tatiana perceberem o potencial das histórias que as duas vivenciaram durante a Copa do Mundo de Slam em Paris.

Confira aqui as salas e horários de exibição

Além de se sentir dentro de um slam, o filme dialoga com o espiríto do nosso tempo e a constante luta de resistência ao sistema. “Acho que hoje a palavra "levante" traduz mais o espírito do nosso tempo. Os slams nascem e se desfazem ali , em presença, e por isso não dá tempo de que sejam apropriados pelo sistema”, declara Roberta.

Por quê fazer um filme sobre Slam? Qual a inspiração?

Na verdade eu e a Tatiana Lohmann, que é a outra diretora e minha grande parceira nessa empreitada, não planejamos  fazer esse filme. As coisas foram acontecendo. Ela teve a presença de espírito de entender que alguma coisa diferente  estava acontecendo quando eu fui pra Copa do Mundo de Slam em Paris, e que merecia ser registrada. Ela viajou com dinheiro do bolso, equipamento próprio e fez tudo sozinha lá. Quando nos deparamos com o tamanho do universo dos poetry slams a gente já chegou no Brasil entendendo que aquele registro poderia ser algo a mais. E então a ideia de fazer um longa nasceu.

Assista ao trailer
SLAM 2

O filme foi bem premiado, esperava por todo esse sucesso? Como espera que ele seja recebido pelo público?

Esse é um filme no qual investimos muita energia, muito tempo , dinheiro do bolso, então a gente sempre quer que o trabalho seja reconhecido,né? Ele tem sido muito bem recebido pelo público e o que mais chama a atenção , e o que todo mundo comenta, é o quanto parece que você está ali ao vivo participando ao assistir as cenas. Acho que o jeito que ele foi filmado e todos os materiais que foram cedidos pra compor o filme trazem muita personalidade e legitimidade. Destaco aqui o material cedido pelo Fernando Martins e pelo Daniel Carvalho que conseguiram captar o slam bem de dentro e com uma estética muito própria que contribuiu muito com o filme.

 

Qual a mensagem do título?

Por muito tempo gente usou a palavra "revolução", mas acho que hoje a palavra "levante" traduz mais o espírito do nosso tempo. Como os slams , os levantes são "zonas autônomas temporárias", nascem e se desfazem ali , em presença, e por isso não dá tempo de que sejam apropriados pelo sistema. Você pode até comprar e vender uma imagem de slam, de uma ocupação de secundaristas,  mas o que se vive ali é único, e se desfaz logo depois que acontece para se refazer em outro lugar. Por e para as pessoas. Acho que esse é o espirito do levante.

 

Na parte final do trailler, você se pergunta: “Ganhar ou tocar o coração?”  e responde “tudo!”. Explica um pouco o contexto dessa pergunta-resposta

Ali é uma pergunta que eu faço logo depois de uma dura derrota. Eu era a favorita e perdi um grande campeonato. Talvez eu nem fizesse aquele texto sobre o 50 Cent que tem no filme. Eu escrevi aquilo em 2004, a copa do mundo que eu participei foi em 2011, acho que hoje em 2018 minhas preocupações mudaram. E o discurso também.Hoje entendo que tocar o coração das pessoas é ganhar.

 

Há quanto tempo você é uma slammer e como o Slam mudou sua vida?

Eu poderia dizer que sou slammer desde que os slams começaram no Brasil, mas na verdade durante algum tempo o único slam que existiu foi o ZAP! e eu era a apresentadora, eu só pude competir mesmo mais tarde quando outros slams começaram a surgir. Na verdade a copa do mundo foi a minha primeira competição de verdade. O slam me fez conhecer muitas pessoas, proporcionou encontros maravilhosos, me ensinou sobre a diversidade e sobre a escuta  e acho que essa a coisa mais importante de todas hoje , a escuta.



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