Severinas e Severinos: Grupo Clariô discute a sina de morte e vida nas periferias brasileiras

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O eterno impasse de como a humanidade compreende o que é a morte e o que é a vida, ganha uma nova corporeidade e reflexão com o espetáculo “Severina - Da Morte à Vida”. Encenado pelo premiado Grupo Clariô de Teatro e baseado no livro “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, a peça é a primeira do coletivo após o falecimento do seu diretor e fundador do coletivo, Mario Pazini. 

 

O site Agenda da Periferia conversou com a atriz Naruna Costa, que é quem  assina a direção da peça, e com atriz Naloana Lima  sobre a nova apresentação do coletivo. Assim como os dois últimos trabalhos, a obra base do espetáculo também pertence a um artista pernambucano, os outros foram o texto de Marcelino Freire, que inspirou o premiado “Hospital de Gente”, e os poemas de Miró da Muribeca, do "Urubu come carniça e voa!". Apesar de ser a primeira, sem a presença física de Pazini, Naloana conta que foi ele quem escolheu a obra para ser a nova “trajetória Severina” do Clariô e, também será homenageado neste novo espetáculo.

 

A atriz enfatiza que as características principais do Clariô, está no ato de fazer teatro baseado na experimentação através da cena, do compartilhar uma visão de um teatro produzido às margens da cidade. “A espinha dorsal que norteia o espetáculo é a morte e a vida, entre o começo e o fim existe meio que com sua corporeidade, seu silêncio, suas palavras, suas imagens, seus símbolos, sua musicalidade revela no palco uma expressividade que indica a trajetória deste coletivo, e que agora convida o público a participar dessa experiência”, diz. 

 

Capa 2 André RicardoA narrativa do Severino, no sertão nordestino, se encontra no diálogo direto com a realidade presente nas periferias, na vida das populações marginalizadas, de tal forma que a leitura do Clariô sobre a obra de João Cabral, torna-se quase natural. “Não sei se nesse caso a arte imita a vida, o que sei é que somos muitos Severinos, iguais em tudo nesta sina, mas por resistência esse coletivo ainda acredita na vida, mesmo sendo severina. E cria assim esse ser original desmistificado através da personagem Severina em carne e osso, e é ela que nos "devolve" a humanidade, uma possibilidade de voltar a existir, mesmo que essa existência seja o caminho para a morte”, afirma Naloana.

 

“Teatro Periférico”

 

Sobre a linguagem estética e as temáticas abordadas, Naruna Costa explica que Grupo Clariô se enquadra dentro do que é o Teatro Periférico. “Tanto pela nossa localização geográfica como, também, pelos assuntos que nos propomos a trabalhar, o que fazemos dá conta da estética do Teatro Periférico. Essas particularidades nos aproximam do que é feito pelo Teatro Negro e Teatro Político, isso ocorre porque questões como racismo e exclusão social são temas sempre presentes nas periferias”, observa. 

 

Sobre a multiplicidade dos temas, como a denúncia do machismo e valorização da figura da mulher, no premiado Hospital de Gente, fez, por exemplo, o coletivo se aproximar de outros grupos feministas. Naruna ressalta que as questões que tocam e narram a vida das populações periféricas são, por excelência, os objetos de trabalho do grupo e, dessa forma, o Clariô se relacionam com as diferentes expressões artísticas. Sobre as A respeito das políticas públicas voltadas para a arte periférica, a atriz lamenta a ausência da discussão no município do Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo. 

 

“Aqui vivemos na periferia da periferia. As únicas discussões de políticas públicas a respeito desses assuntos, são as que nós produzimos. A atuação do poder público é essencial para esse tipo de trabalho”, frisa. É exatamente a constatação da dificuldade - quase inviabilidade - de fazer Teatro Periférico que “Severinas - Da Morte à Vida” e a auto-definição do coletivo ““coletivo de arte resistente marcado pela teimosia” combinam e fazem tanto sentido.


Estréia dia 08/10, às 20:30 horas. 
Quinta-feiras a Domingos.
A entrada é gratuita; a bilheteria abre às 19:30

Rua Santa Luzia, 96. Vila Santa Luzia - Taboão da Serra

por
Paulo Pastor Monteiro


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