Sarau do Binho: Tese de doutorado em psicologia acompanha como os saraus mudam as pessoas e os territórios

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No início visto com estranhamento e com boas doses de preconceito elitista, os diversos saraus da periferia paulista transformaram-se em sinônimo de qualidade, força e representatividade.  Nesta quinta-feira (05 de dezembro), o Sarau do Binho, um dos precursores e referências desse movimento, será mais do que palco para as poetisas e poetas e outros personagens, o espaço será banca popular de tese de doutorada.

A Agenda da Periferia conversou com Tatiana Minchoni, doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Santa. Ela conta que sua tese: “Coletivo Sarau do Binho: insurgência (po)ética nas tramas afetivas do território” foi escrita a partir dos  “afetos atravessados em meu corpo em cada momento experimentado nos saraus, nas cocadas, nas conversas ao pé do ouvido, no olho a olho, nos abraços de corpo inteiro.

Para a psicóloga, a própria noção coletiva de funcionamento dos saraus foi um dos fatores que a motivou a montar essa banca popular. “As transformações vividas, bem como os afetos que são possibilitados nesses encontros com os saraus, sobretudo enfatizando que é uma auto-organização do povo para o povo” Compõem a banca popular o próprio Binho Padial, Diane Padial, Helena Silvestre e Roberth Tavanti.

Ao todo o trabalho é resultado de um trabalho de cinco de anos, voltadas não são as tradicionais aulas, escrita de artigos e seminários, mas, principalmente, a dedicação de horas dias, horas, segundos, meses, anos intensos de vivência e estudo do Sarau do Binho. “Todas essas experiências alargaram meus horizontes e expandiram as possibilidades de vida nos encontros.”

 

Para quem nunca participou, vai o registro. Uma banca de doutorado é o momento no qual a doutoranda apresenta a sua tese, que deve ser resultado das conclusões obtidas a partir das hipóteses e investigações da sua pesquisa. É um trabalho que importa em contribuição inédita para o conhecimento e visa a obtenção do grau acadêmico de doutor.

Auto-estima


WhatsApp Image 2019 12 04 at 8.43.21 PMEntre as diversas transformações que os saraus promovem na vida dos moradores e nas relações pessoais, Tatiana chama a atenção para a capacidade de desencadear processos “processos de identificação e reconhecimento entre pessoas do território, ou seja, é o se ver/ouvir/ sentir nas poesias”, observa.

Para autora, essa outras possibilidade de ver a si mesmo e o espaço onde se vive, repercute em “um orgulho de ser da quebrada”, de afirmação da potência e da resistência produzida nas obras de arte e no vislumbrar formas de fazer que vão muito além do que está posto historicamente para as pessoas que ali vivem.

Entre os fatores que mais chamaram a atenção da pesquisadora, ela destaca a inventividade, a a insistência em imaginar e criar nas condições mais adversas, da valorização pelo agir coletivo como forma necessária e urgente de resistir e afrontar a individualidade e a competivividade. “Tudo isso permeado pela afetividade, pelo enxergar o outro, pelo abraço de corpo inteiro, pelo cuidado”, encerra.


 

Quando: 05/12/19

Hora: 20h

Onde: Galpão 69 – Rua João Correia, 69, Campo Limpo


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