¨Queremos chegar aos corações e mentes das pessoas¨, diz Crônica Mendes

cronica 2

 

 

¨Aos que caminham¨, segundo album solo do rapper Crônica Mendes, é uma homenagem ao RAP, que sempre acompanhou a vida do artista, e também uma saudação a todos que os acompanharam ao longo da sua caminhada. Nessa entrevista para a Agenda da Periferia, Crônica fala que esse novo trabalho é ¨força pra seguir¨ e também uma oportunidade para se ´´pensar fora da caixinha¨ e se ´´metamorfosear´´.

De maneira precisa, e sem ser contraditório, ele acredita que o espaço que os rapper's tem conseguido na mídia não significa que estão se vendendo, mas sim se ´´infiltrando´´ e, ¨quando chegar a hora, tomaremos a nossa história de volta´´ Porém, não mede palavras para criticar os ¨MCs fabricados como duplas sertanejas, apenas para atender ao mercado¨

Confira abaixo a íntegra da entrevista e também assista um dos clipes do ¨Aos que caminham´´

Por quê o nome ``Aos que caminham``? E quem são os que caminham contigo?

 

Aos que caminham é força pra seguir, se permitir ser feliz, se arriscar, pensar fora da caixinha, metamorfosear, e aprender com cada dificuldade, e também com novas atitudes. Essa é a gênese deste meu segundo disco, um trabalho que tenho a honra de sonhar e realizar junto com o time da minha produtora GALUZ, com meu Dj Buiu Silveira, meu guitarrista Diego Silva, e um time de convidados como: MV Bill, Slim Rimografia, Jhef, Dj Dr Jay, Mário Amaru, Sérgio Cotty, Paulo Saraiva, Helibrown, Adonai CVS (Cidade Verde), Luiza Chao, Carlo Rappaz, e Dj Caique. Este é o time que compõem o corpo deste disco, time convocado por mim, e pela  jornalista Nina Fideles, responsável pela otnagicidade dos meus trabalhos.

 

Nesse último disco, têm bastante `metal`, guitarras bem marcadas, bateria, vários elementos que são tão comuns em raps mais antigos. Por quê a opção de fazer isso? Alguns outros rappers também têm feito isso, essa é um tendência?

 

Eu sempre tratei o rap com respeito, sempre o tratei como música, nunca aceitei as piadas preconceituosas que o taxam como coisa banal, “isso não é música”. E toda minha composição, sempre busquei arranjar o rap, para que ele pudesse chegar mais próximo dos corações das pessoas. É um estilo meu, que vai desde ao formato da escrita, a ordem de cada palavra numa frase de efeito, aos arranjos de violões, guitarras, o que queremos é chegar aos corações, e mentes. Neste disco eu não fugi disso, tem letras para despertar, se revoltar, se informar, pra relaxar, se divertir, fazer amor, se encontrar... É um disco livre, mas com identidade, não sei se é uma tendência, mas estou fazendo do meu jeito, da minha brisa. Meu show é Eu (voz), Buiu Silveira (Dj), e Diego Silva (guitarra), é diferente isso no rap, este tipo de formação, ouso dizer que criamos pra nós, e deu certo, é o nosso diferencial, é nossa forma de fazer o nosso rap de combate, rap com guitarra, e a nossa marca.


Como têm sido a repercussão desse seu novo trabalho?
 

Busquei compor este trabalho, de uma forma livre, que me proporcionasse novas experiências não só durante as produções, mas depois de lançado também. O público assimilou muito bem essa ideia, e o conteúdo do disco se agigantou. Cada show é um olhar diferente, cada crítica desperta um lado que nós até então não tínhamos nos atentado. Tem sido uma experiência muito transformadora, uma viagem musical em que os elementos  se apropriam de cada detalhes das histórias, dos temas, dos arranjos. Tenho escutado muito que este disco  é uma visita ao futuro, sem tirar os pés do presente. É uma resenha entre o tradicional e a ousadia do rap... Ainda temos muito o que ouvir e cantar deste disco.


Você está na estrada há muito tempo, têm sons que marcaram o rap. Como avalia a cena atual?

 

Vejo varios irmãos e irmãs se profissionalizando, ganhando destaques, ganhando dinheiro  em mercados como os das plataformas digitais. Hoje o cenario é bem mais seleto, as variedades são inúmeras, e  isso me preocupa, pois toda produção quando se torna uma produção em massa, tende a perder qualidade e priorizar quantidade. Tem uma ideia no ar, uma disputa outra vez de gerações, disputa essa que já foi mais presente, e que agora se encontra velada, mas ainda atuante. Essa história de topo, de compra de views, de MCs fabricados como duplas sertanejas, apenas para atender ao mercado e não para a Cultura, isso me gera uma animosidade muito grande, há muita falta de respeito dessa molecada mais nova, e  isso traz consequências, e é aí que mora o perigo. Tem menino que chega agora na cena, mama na fazenda de likes e se sente como a nova tendência, sente que está no topo. O Hip Hop não tem topo, tem base, o Hip Hop não tem tendência, tem vivência, e essa fazenda de MCs novos e desrespeitoso nunca vão entender isso.

 

Por fim, como o Rap têm sido recebido pela impressa, pelos críticos? Como ele é visto, hoje, pela sociedade? Ainda rola uma estigmatização ou isso mudou?

 

A mídia quer pacificar o rap, eles nunca vão nos aceitar perfeitamente como somos. O que acontece de diferente nos dias de hoje, é que alguns dos nossos aprenderam a negociar, pois sabemos que temos algo que eles querem, temos audiência, é isso é uma grande vantagem nossa. Ao contrário do que uma minoria pensa, não estamos vendidos, estamos infiltrando gente nossa nos meios de comunicação, somos quase que um serviço secreto da favela (risos), estamos ocupando os espaços a serem ocupados, e quando chegar a hora, tomaremos a nossa história de volta. História essa que eles se apropriaram e passaram adiante de forma errônea, deturpada. Vai chegar uma hora que Eles não vão mais ditar as regras, e este dia não há de demorar.

 

 

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