Pingo de Fortaleza: uma trajetória de celebração da "essência criativa"

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Iniciando, neste sábado (09/12), mais uma série de apresentações em São Paulo, o artista Pingo de Fortaleza conversou com o site da Agenda da Periferia sobre a sua trajetória de mais de 35 anos, de 25 cd’s, da sua compreensão do que é arte erudita, periférica e também do  seu mais recente trabalho “Acordado”.

Pingo revela-se um artista bem consciente da sua obra, e celebra o fato de conseguir apresentar nela, independente da técnica utilizada, a sua essência criativa. “ A minha arte tem como objetivo expressar aquilo que eu vejo, que eu sinto, aquilo que eu percebo do universo que eu dialogo.”

Confira abaixo a entrevista com o artista e clique aqui para conferir a agenda de apresentações.

 

Você trabalha com diversas linguagens artística, se expressando por meios mais ¨eruditos´´ como também por mais ´´populares´´. Como você classificaria a arte do artista ´´Pingo de Fortaleza´´?
Realmente, eu me expresso por meio de várias linguagens, com diversas influências. Principalmente na música, o meu trabalho foi ficando cada vez mais diverso, com mais inspirações. No meu primeiro disco eu fiz um trabalho mais armorial,com instrumentos considerados clássicos - que é uma nomenclatura que eu venho questionando nos últimos tempos. Após isso, fiz trabalho com bandas, obras com a presença do maracatu, entre outros.
Agora, eu procuro sempre primar por valorizar a minha essência criativa, isso eu faço questão de colocar em todo o trabalho que eu faço, foi essa vontade que me fez começar a produzir, a vontade de compor. A minha arte tem como objetivo expressar aquilo que eu vejo, que eu sinto, aquilo que eu percebo do universo que eu dialogo.
Quanto a questão do “erudito” e do “popular” eu percebo a utilização desses termos como uma função mais didática. Porém, em relação a minha obra, eu tenho procurado sair dessa dicotomia, isso porque compreendo que “erudição”, enquanto sinônimo de conhecimento está presente em todo trabalho, e “popular”,  a gente sempre vai encontrar referências no povo. Portanto, historicamente essas nomenclaturas cumpriram uma função de hierarquizar um tipo de expressão, em relação a outra.


Qual expectativa para essa temporada de show em São Paulo? Qual sua relação artística com a cidade?
As regiões brasileiras que estão ao largo das grandes cidades acabam ocupando um lugar de uma periferia. Por isso, nesse sentido, Fortaleza, apesar de ser uma capital, pode ser considerada uma periferia em relação a São Paulo, até mesmo quando vemos parte da produção cultura feitas no nordeste, com mais espaço de divulgação e produção no eixo Rio-São Paulo. Dessa forma, é muito importante vir para São Paulo por que isso te coloca em contato com uma infinidade de expressões, de artistas e produtores é uma experiência sempre muito importante,um aprendizado muito grande.


Racionais MC`s cantou ´´periferia é periferia em qualquer lugar´´ para falar que, apesar das diferenças regionais, há elementos que dão uma mesma ´´identidade´´ para as periferias. Isso vale também para a arte periférica?
Eu prefiro usar o termo “periférica” somente no sentido geográfico, em referência ao local em que essa arte é produzida. Há uma grande diversidade no conteúdo dessa arte. Quando venho para São Paulo, participo de uma apresentação no Samba da Vela, no Sarau do Grajaú ou em uma apresentação na Ação Educativa, a gente vê o quão múltipla é essa expressão. Ao apresentar o que produzo em Fortaleza que, como disse é uma periferia em relação a São Paulo, mas é uma importante capital do nordeste, a gente sente que ao mesmo tempo que essas expressões são únicas e diversas, há um grande espaço para o diálogo, para a troca. Por isso, sempre fico muito feliz e aprendo muito quando venho para São Paulo.

Em uma entrevista você disse que em ¨Acordado¨, a sua ideia era fazer algo que expandisse o universo do violão básico. Por quê essa vontade? E qual foi o resultado desse projeto?
Ele traduz e revela meu caminhar como músico, comecei realmente focando na voz e violão, muito pela precaridade de trabalhar com banda. Isso fez com eu fosse desenvolvimento tecnicamente o meu trabalho com violão,o que fez com quem eu produzisse um conjunto grande de músicas instrumentais. No “Arcodado”, eu apresento outros instrumentos que fui trabalhando:o ukulele,a guitarra, a viola de12 e a sintar indiana - que surge da minha vontade de conhecer esse instrumento.
Compor e trabalhar com outros instrumentos me permitiram e possibilitam uma nova linguagem sonora, uma nova forma de produzir.Eu brinco que, por trabalhar há muito tempo com o violão, os dedos da gente já começam a funcionar de forma mecânica, a forma de criar vai ficando muito condicionada. Nesse sentido, é instigante adicionar novos instrumentos



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