“Periferia que faz”: Edital disponibiliza R$ 20 mil para iniciativas sociais direcionadas para as comunidades brasileiras

perifia que faz



Se é verdade que as crises sociais costumam atingir com mais força a população pobre, também é verdade que esse grupo é quem mais atua para superar as dificuldades e resistir.  É dentro dessa dinâmica de ‘ação-reação’, que a rede de ativismo “_Nossas” lança “Edital Periferia que faz”, que irá selecionar proposta de iniciativas protagonizadas por jovens e voltadas para as periferias que eles vivem. As inscrições vão até o dia 30 de setembro e o valor do edital é de R$ 20 mil.

Debora Pio, da comunicação da rede “_Nossas”, explica que o edital irá priorizar iniciativas que propunham ações de enfrentamento ao racismo, pelo fato da questão racial “materializar” a desigualdade brasileira. Ela conta ainda que a expectativa é receber propostas do Brasil, procurando, dentro desse contexto, priorizar a oferta de recursos as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, que costumam ter menos acesso a recursos dessa natureza.

“A desigualdade no Brasil se materializa em forma de racismo. A exclusão, discriminação, desemprego, falta de oportunidades, índices de letalidade, etc - tudo isso acontece de maneira muito mais contundente com a população negra, desde sempre. Este ano, com a pandemia, essas desigualdades ficaram ainda mais escancaradas”, observa.


Qual a expectativa com a divulgação do edital “Periferia que faz”?

Nossa expectativa é que a gente consiga alcançar jovens de periferias do Brasil inteiro, principalmente de regiões que historicamente têm menos acesso à recursos desse tipo, como Norte e Centro-Oeste. O edital tem R$220 mil para distribuir para grupos que queiram tirar seu projeto do papel e estejam precisando de recursos.

 

O edital do projeto ressalta que é a prioridade é contemplar ações que combatam o racismo. Por quê esse foco especial?

A desigualdade no Brasil se materializa em forma de racismo. A exclusão, discriminação, desemprego, falta de oportunidades, índices de letalidade, etc - tudo isso acontece de maneira muito mais contundente com a população negra, desde sempre. Este ano, com a pandemia, essas desigualdades ficaram ainda mais escancaradas. Para completar, ainda tivemos o caso do George Floyd, nos Estados Unidos, que culminaram em protestos pelo mundo afora contra a violência policial e racial. 

O tema do racismo é urgente e há décadas tem gente falando sobre isso. Agora, com a pandemia e esses casos midiatizados na televisão e na internet, ficou impossível para a sociedade civil não oferecer uma resposta pra isso. Não tem mais como fingir que isso não acontece ou que são casos isolados. O racismo faz parte da estrutura de formação do país - e com a falta de atenção governamental para este tema, coube às instituições reagir de forma assertiva (mesmo que tardiamente). É claro que ainda há muito a avançar, mas o primeiro passo que fizemos no NOSSAS é investir em projetos de combate ao racismo e o edital é um deles. 

 
Chama a atenção que o comitê de seleção do projeto é formado por quatro mulheres e dois homens, desse total, quatro pessoas são negras. Como foi o processo de formação desse comitê? Foi uma opção consciente essa composição ou não?

Sim, com certeza foi uma alternativa consciente. Queríamos mesmo que o edital fosse representado por pessoas que 1. Conhecessem bem o campo 2. Tivessem um olhar mais cuidadoso para tratar de temas sociais e raciais. O comitê é formado por um grupo multidisciplinar, de várias regiões do país e competentíssimo para escolher os melhores projetos Brasil afora. Estamos muito animadas com o comitê, vai ser incrível! 

 

E por que, mesmo quando tratam-se de editais ou seleções com esse recorte, é tão raro as pessoas que coordenam terem um perfil que não reproduza racismo ou machismo estrutural?

O problema do racismo estrutural atinge todas as instituições brasileiras, já que é parte da formação cultural do país. A maioria das organizações até têm pessoas negras em seus quadros de funcionários, mas dificilmente essas pessoas ocupam cargos de liderança. Nisso o país ainda precisa avançar muito, através de programas de ações afirmativas e agindo ativamente para sanar este problema. Já estamos observando movimentos deste tipo, mas ainda estamos longe do ideal. No caso deste edital em específico eu, uma mulher negra, estou na coordenação. Mas sabemos que esses casos são raros.  

 

A rede “Nossas” tem alguma avaliação ou análise de conjuntura de como as periferias brasileiras responderam, através de ações culturais, sociais e políticas, a crise provocada pelo Covid-19?

Ainda é cedo para fazer qualquer tipo de "análise de conjuntura", uma vez que a pandemia e a crise causada por ela ainda estão longe de acabar. O que podemos dizer é que, pelo menos nas grandes cidades, o que observamos foi que diante da falta de ações concretas dos governos federal, estadual e municipal, coube aos jovens e organizações comunitárias atuarem diretamente para tentar mitigar o problema dentro de seus territórios. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, foram os coletivos de favelas que se organizaram fazendo vaquinhas para doarem cestas básicas para moradores que perderam o emprego, ficaram doentes ou tiveram que cuidar de alguém. Foi a própria comunidade que se organizou em várias frentes para lidar com a Covid19, desde a contratação de ambulâncias (como foi em Paraisópolis) até a sanitização das ruas. Isso é bastante preocupante no Brasil, já que ações deste tipo deveriam ser responsabilidade do Estado, não dos moradores.



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