¨Para que as pessoas saibam que estão em um lugar de preto¨

samba do rosário 01

 

Quem já foi e quem conhece a história da tradicional roda de Samba Largo do Rosário, sabe bem como a declaração que dá título a essa matéria é verdadeira. Quem conhece a história da Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha sabe que não teria como ser diferente.

A Agenda da Periferia conversou com Julio Marcelino, um dos coordenadores da tradicional roda de samba, que acontece sempre no último sábado de cada mês. Quando perguntamos se haveria uma programação especial por novembro ser um mês marcado por discussões, Julio  explicou que é uma constância a valorização da questão racial, a resistência e a celebração da cultura do povo negro.

Na entrevista abaixo, Julio conta como surgiu a ideia de realizarem o samba, a participação da comunidade no projeto e o porquê o estilo continua sendo um ato político de resistência.


O samba da Comunidade do Largo do Rosário da Penha de França tornou-se uma referëncia nos últimos anos, com tantas opçoes de samba em sáo paulo, ao que se deve o sucesso de vocês? 

Posso dizer que temos alguns fatores que podem dar dicas que levem a esse reconhecimento pela comunidade: O nosso evento é feito no largo do Rosário, um espaço público e que vem se tornando um espaço da comunidade negra da região. Além disso, trazemos sempre um convidado, e temos visitas de outras comunidades de samba, a parceria com as empreendedoras de mulheres negras da nossa região: “A feira Mulheres Mahin”. Por fim, o fato de ser na praça a entrada é gratuita e de ambiente familiar onde as pessoas vem para se encontrar.

Fale um pouco sobre a trejetória dessa roda de samba, como surgiu, como ela foi se organizando?

A Roda de Samba faz parte das ações que a Comunidade do Rosário vem realizando na Penha. Tudo começou quando a Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha, foi interditada pois corria o risco de cair o telhado. Mesmo sendo um patrimônio histórico tombado por órgãos públicos por ser um dos poucos edifícios erguidos por escravos e ex escravos ainda em pé estava correndo o risco de vir ao chão. A partir desta constatação alguns moradores resolveram se mobilizar para resgatar o passado histórico desse patrimônio e de sua importância para a comunidade afro brasileira. Foram criadas algumas ações; já a quinze anos todo mês de junho realizamos uma festa que dura o mês todo. Além da festa temos a todo primeiro domingo do mês uma Celebração em rito Afro ao som dos atabaques dentro da igreja. E por fim todo o último sábado do mês a Roda de Samba.

 

O samba ainda é um ato político de resistência? Como ele atua nesse sentido?

 Sim claro, ainda mais no nosso caso que fazemos um samba para a comunidade negra conhecer um patrimônio que fica na periferia e que quem uma importância fundamental para entendermos a nossa história.


Ao que parece, cada vez mais o evento de samba tem tido a preocupação de, ao mesmo tempo que preserva a memória das músicas tradicionais, incentiva composições novas. Nem sempre foi assim? Por que acha importante ter essa característica?

Eu acho que o samba não é um só, vc tem diferente estilos e cada um traz a sua mensagem. Nos do Rosário realizamos um evento para que as pessoas venham para se divertir se sintam num lugar de preto e que se levar algo mais que o faça refletir já estamos satisfeito.


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