“My Way”: Biografia ou novela? A história do Anarcopunk passa pela periferia do Valo Velho


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“Se eu soubesse que tudo isso daria um livro, eu viveria tudo de novo só para escrevê-lo”. Conversa com Valo Velho, apelido que virou parte da sua personalidade, é uma oportunidade única de imergir no mundo anarco punk, com o privilégio de ter como guia não um simples conhecedor e sim um “fundador do movimento anarcopunk no Brasil”.

Valo Velho lançou em setembro deste ano o “My Way: a periferia de moicano”, pela editora Selo Povo, do também escritor Ferréz. O livro é, nas palavras do próprio autor, uma mistura de auto-biografia, novela, análise histórica e sociológica. “Eu tive a preocupação de contar a história do movimento punk antes da minha entrada. Eu sou um dos fundadores do movimento Anacrhopunk, e coloquei nesse livro a história de um movimento que lutou contra a violência, que sempre tentou escapar dessa opressão gigante, de romper essa barreiras.

O livro narra suas história, e de vários outros indivíduos e coletivos, que foram a cara do Anarcrhopunk na década de 80, dos protesto contra armamentos nucleares, de vida no mundo de guerra-fria, também fala do seu envolvimento com os valo velhoPanteras Negras, Hippies e Punks nos Estados Unidos. 


“Muita gente me agradeceu por ter lembrado e contando sobre a história deles, para muita gente o livro funciona como uma ‘bala na agulha’,  prova que de fato aquilo aconteceu, que as coisas rolaram…”. O reconhecimento de muitos que viveram a cena, das bandas que tocaram nos mais diversos picos de são paulo, dos autores de fanzines é um dos retornos positivos da obra. “Os espaços de discussão abertos em escolas, saraus e até igrejas demonstra que “My way…” tem um significado importante para quem acredita na literatura marginal.”

Valo Velho impressiona pela fluidez de como, no mesmo raciocínio, combina análises político-estéticas a exemplo da discussão a respeito da opção pela forma de se vestir funcionava como um contraponto a lógica crescente da mercadoria-marketing, para um rolê nas noites de São Paulo, que podia ser marcada por musica, bebidas ou até mesmo confronto com gangues de skiheads ou nazistas…

Ele revela um certo contentamento por ter escrito o livro sendo unicamente punk. “Esse é o primeiro livro da cultura punk, escrito por alguém unicamente punk. Eu não contei minha história para um jornalista ou um acadêmico ir lá e escrever. Fiz questão de parar minha graduação para fazer esse livro”.

O livro, que a princípio circulava somente como um pdf, virou livro após o escritor Ferrez, da editora, insistir com ele para a publicação. “Foi muito bacana esse apoio, o Ferrez acreditou muito no potencial, muita gente boa ajudou...o Criolo foi um dos que apoiara. Isso é muito bacana”.

Valo velho explica que o punk atraía muita gente que não se encaixa no sistema, que sentia-se oprimido e buscava uma forma de se expressar, de questionar e atacar esse mesmo sistema. “O punk é revoltado com sua condição na sociedade, de escravo, de oprimido e usa armas que tem a mão para demonstrar a sua revolta No brasil é um movimento da periferia, nascido na periferia. O punk sempre tem uma saída para que não cale a nossa voz”.


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