“Muro”: Coletivo “Favela em Cena” lança campanha de financiamento para espetáculo inédito

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Com cinco anos de estrada, mas com uma parceria de amigos que já dura 15 anos, o Coletivo “Favela em Cena” lança a sua primeira campanha de financiamento colaborativo para o espetáculo “Muro”. A peça inédita, de autoria de William Gutierre e André Santos, fundadores do coletivo, tem o ousado desafio de abordar, sem romantismos ou esteriotipos, “os problemas perpétuos das periferias, (além de)mas também falaremos de amor, sonhos, amizade, música e resistência

A entrevista para a Agenda da Periferia, respondida em nome do coletivo, explica que a opção pelo financiamento coletivo é uma ferramenta que permite viabilizar a atuação artística através da criação de uma parceria e confiança com o público. É a forma que esperam driblar a falta de apoio público e privado.

Na conversa, o “Favela em Cena” diz sobre a sua concepção do teatro feito “a partir da periferia”, da trajetória do grupo e também conta um pouco sobre o espetáculo e da expectativa para colocá-lo em circulação. Segue aqui o link da campanha e mais informações para quem quiser colaborar com o coletivo.


Conte um pouco da história do “Coletivo Favela em Cena”

Os criadores do Coletivo, William e André, se conhecem há 15 anos. E com trajetórias distintas na área, foram aos poucos, transformando a amizade em pequenas parcerias, mas, sempre como prestadores de serviços em outros trabalhos artísticos. Com o passar do  tempo, foram pensando na ideia de criar um Coletivo, ideia essa que foi amadurecendo e no ano de 2013 se concretizou na fundação do Favela em Cena. William tinha Barraco de Pedra, texto que já começava a ter vida com leituras públicas, e junto a essa afinidade com André, pensaram que seria o momento ideal para essa parceria. André se interessou pela direção e acabaram por iniciar os processos de ensaio, convidando o DJ Pow para fazer a discotecagem ao vivo da peça, seguindo um pensamento do coletivo em trabalhar o teatro e a música numa mesma unidade. Em 2014 estreia Barraco de Pedra. O espetáculo desde essa data passa por lugares importantes da cena teatral paulistana e também fora dela, como Funarte, SESC's, Mostra Clariô, Monte Azul, Clariô, Mangue Cultural, Fábricas de Cultura Jaçanã, Escolas da rede pública da cidade de SBC, Ação Educativa, entre outros. Não podemos afirmar com certeza, mas, o que chega para nós, é que somos o grupo de teatro que leva a palavra Favela em seu nome aqui na cidade de São Paulo.

 

Essa é a primeira campanha de financiamento coletivo que o Favela em Cena realiza? Como o coletivo avalia as políticas de financiamento e autonomia dos coletivos teatrais das periferias?

Sim. É a nossa primeira experiência nessa plataforma. Acreditamos que esse tipo de politica de financiamento auxilia os grupos e pequenos produtores a terem autonomia sobre sua obra. Não ficando reféns de possíveis interferências no seu conteúdo artístico.  E pensando pelo lado do apoiador que colabora com o projeto, ele constrói uma relação de envolvimento com todas as etapas da produção do trabalho. E assim, ele se sente parte da montagem, financiando o tipo de história que ele gostaria de ver, sendo representada no palco, e fortalecendo a aparição de novos artistas e ideias na cena cultural.

 

Como surgiu a ideia da campanha no catarse para esse espetáculo?

A ideia surge de um jeito simples: Falta de apoio público e privado para execução do espetáculo. Pensamos em outras possibilidades a priori, mas tendo essa do financiamento coletivo, como uma alternativa mais possível. E como estávamos há dois anos no processo  de montagem, e há um ano com a peça pronta, não podíamos mais esperar, pois, corríamos o risco de perder todo o trabalho conquistado nesse tempo. Então, pensamos que através dos amigos e parceiros, seria possível colocarmos o espetáculo em temporada.


DSC03407“Muro” é um espetáculo inédito? Qual a história da peça?

Sim. Ela é uma peça inédita de autoria de William Gutierre e André Santos, fundadores do Coletivo Favela em Cena. Essa é a nossa primeira parceria numa dramaturgia. Já que a primeira peça do coletivo, Barraco de Pedra, é de autoria do William, que a partir  desse trabalho, lançou seu livro de dramaturgia, com cinco peças que leva o nome de: Barraco de Pedra e outras peças. As histórias que vocês conhecerão assistindo ao espetáculo Muro, são sobre os problemas perpétuos das periferias, mas, também falaremos de amor, sonhos, amizade, música e resistência. O espetáculo tenta dar conta em trazer para a cena o rico universo periférico. É um grande desafio.
 

O que significa o moto do coletivo: “que cria seus espetáculos a partir da periferia.”? Como se dá o processo de criação?

A nossa inspiração é a partir da observação cotidiana em que a periferia se torna protagonista de nossas histórias. É um olhar de dentro, mas, com distanciamento, para contarmos ela de diversas maneiras pelas quais buscamos não romantizar, porém, tampouco, por uma periferia de forma estereotipada como acontece em diversas situações em que é retratada. O processo de criação se dá através de três pontos: Histórias que vivenciamos; que ouvimos e que vimos durante toda essa nossa vida na periferia.

 

 

 

texto por Paulo Monteiro
fotos de Tânagra Andria


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