Mostra de Artes Cênicas: Artistas comprometidas com a periferia

Foto de Taetê Benedicto 3
 
O espetáculo "Memórias do Rio, do Rei e do Dia", abre a A Mostra de Artes Cênicas 2018. O evento mantêm a tradição de reunir produções compromissadas as pessoas de suas comunidades. Essa é a explicação de Gil Marçal, curador da mostra, que comemora a consolidação do evento como um espaço de experimentação, visibilidade e aprofundamento estético das produções cênicas realizadas pelos grupos de teatro, dança e circo das periferias.

Além das "Mémorias...", do grupo Núcleo Una teatro, livremente inspirado em Diadorim, personagem icônica do romance Grande Sertão:Veredas, nesse mês há a apresentação "Charanga dos Excêntricos", do Circo Teatro Palombar, em homangem ao dia do circo. Outra apresentação ligada as datas é a leitura cênica Bixa Monstra Presidenta, que será realizada no pela Cia Humbalada no mês de junho, se conecta ao dia mundial do orgulho gay. Marçal salienta que, ao mesmo tempo que as apresentações explorarm diversos métodos e temáticas, a aproximação com o público, o desejo de encontro com as pessoas e facilidade de acesso é uma das características em comum de todos os participantes da mostra.

Por fim, Marçal salienta a 'qualidade técnica' dos "grupos periféricos" que não podem ser confundido com a lógica de "profissionais" x "amadores". "Todos os grupos partiticipantes da mostra são profissionais de acordo com os critérios estabelecidos por nossa sociedade. A diferença é que estes grupos da periferia entendem que tem um compromisso com as pessoas de suas comunidades", observa. Confira aqui a programação completa.


A Mostra de Artes Cênicas é um evento que vem se consolidando ano após ano. O que ele representa e qual a importância dele para essa linguagem artística? 
 
A Mostra vem se afirmando, ano após ano, como um espaço de experimentação, visibilidade e aprofundamento estético das produções cênicas realizadas pelos grupos de teatro, dança e circo das periferias. A mostra possibilita reunir trabalhos de grupos que tem atuação nas periferias da cidade ou trabalham com temas e questões de interesse social. A existência da mostra colabora diretamente para a afirmação destes trabalhos, de seus fazedores e as das pautas que os movimentam, tendo em vista que suas produções não foram realizadas a partir da ótica do mercado e sim da necessidade de democratização do acesso e da experimentação cultural. 
Por fim, a mostra colabora diretamente para o fortalecimento destas produções e grupos e ao realizá-la contribui ainda para o que o conjunto destas produções sejam valorizadas e reconhecidas pelo seu trabalho e identidade estética. 
 
gil altaQuais os destaques da Mostra de Artes Cênicas 2018?
Alguns trabalhos estabelecem relações com datas comemorativas. Abrindo a Mostra no mês março, dedicado às mulheres, o solo “Memórias do Rio, do Rei e do Dia” do Núcleo UNA teatro , é livremente inspirado em Diadorim, personagem icônica do romance Grande Sertão:Veredas. Março também é marcado pelo dia Nacional do Circo que aqui será comemorado pelo grupo Circo Teatro Palombar apresentando Charanga dos Excêntricos”. A leitura cênica Bixa Monstra Presidenta, que será realizada no pela Cia Humbalada no mês de junho, se conecta ao dia mundial do orgulho gay. O programa de dança, com a Cia Treme Terra, Diversidança e Cia Fankama Obi, que vai do tradicional africano ao contemporâneo brasileiro, e ao mesmo tempo rompendo com os rótulos ou estigmas do que é popular ou erudito. 
Destacaria ainda o Show do Pimpão da Brava Cia que é uma referência no teatro na zona sul e o Coletivo Dolores Boca Aberta apresentando seu rolezinho sendo que ambos realizam arte política e comprometida com a busca de um pensamento e uma maneira ativa de promover mudanças em seus territórios. .  
 
São diversos grupos, diferentes espetáculos, temas e abordagens. Há um elemento que unifica as apresentações, uma identidade entre elas? 
Em comum, os coletivos e grupos que compõem essa programação buscaram encenações que podem ser feitas nas ruas, praças e pequenos espaços alternativos, em busca de promover um encontro com os públicos mais diversificados e também com menos acesso às produções cênicas na cidade de São Paulo. Em seus trabalhos é evidente a influência da cultura popular, do circo mambembe, dos causos e contos tradicionais, das rodas de conversa nos bares e da opção pela quebra da quarta parede, aproximando e dividindo o espaço com os encontram para conhecer e vivenciar sua arte. Todos tem uma longa caminhada na construção de sua arte e estão na luta para realizar suas produções, com anos de atuação e sendo também referências em suas localidades e territórios, têm em comum a
preocupação em dialogar de forma compreensível e sensível com a sua comunidade.
A arte feita na periferia promove uma experiência extra-cotidiana entre aqueles que produzem e aqueles que assistem, assim ambos são potencializados nesta troca onde a estética prevê potêncializar quem faz e quem vê. É em busca desta experiência extra-cotidiana, praticada por estes grupos, que a programação da Mostra foi pensada e construída promovendo apresentações de teatro, dança e circo gratuitos e para todos os públicos.
Trazemos para esta Mostra produções de grupos das artes cênicas da periferia que nos desafiam a pensar formas de como por em prática a cidadania no Brasil através de temas como o racismo, machismo e a
homofobia, sempre entrelaçados historicamente no processo de exclusão social.
 
 

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Como se dá a “troca entre quem faz e quem vê”, na Mostra?
Todos os espetáculos pressupõem uma participação ativa entre quem faz e quem está presente, seja por meios sensoriais ou participação direta, todos estes grupos propõem uma experiência junto ao público com o sentido de promover uma trajetória conjunta entre artista e público na história contada. O objetivo é que as pessoas saim diferentes de quando o espetáculo inicia até o seu fim. 
 
Hoje há mais pontos de contato ou existe uma distância entre a arte cênica “periférica” e a “acadêmica” ou “profissional”? Ou esse debate não existe (ou não deveria existir)?
Todos os grupos partiticipantes da mostra são profissionais de acordo com os critérios estabelecidos por nossa sociedade, a maior parte tem formação superior na área, documentos e registros profissionais e longa experiência nas suas produções. Todos estudaram a história da artes e os grandes autores, todos utilizam meios e ferramentas usuais da linguagem e todos cumprem uma função social. A diferença é que estes grupos da periferia entendem que tem um compromisso com as pessoas de suas comunidades que não tem recursos para pagar o ingresso de um espetáculo ou mesmo não tem costume de acessar vivências artísticas, então tanto estes grupos, em sua maioria, entendem que seus trabalhos tem tarefa de aproximar as pessoas das artes com vistas em fortalecer os direitos culturais e por consequencia o desenvolvimento de pensamento crítico.  
 
O compromisso com a comunidade, a ideia de ser entendida e reconhecida por ela, é uma característica comum aos grupos que se apresentam na Mostra? Qual a importância de ter essa preocupação?
Sim. Esse compromisso é de certa maneira uma marca da linguagem das estéticas das periferias, onde promover arte e cultura para aqueles que estão a margem da participação no sistema social em que estamos inseridos não é uma escolha, é uma necessidade. Trabalhar a linguagem, os temas e as histórias de forma que as pessoas mais simples possam se identificar, e isso sem baratear o conteúdo ou a forma, é um dos grandes feitos destes grupos em seus territórios. 

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