“Menino do Drone”: O privilégio e as dores de enxergar os que só passarinhos conseguem ler

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Ganhar asas ou ganhar rodas, o que você escolheria? A opção seria fácil, se vivêssemos em um mundo de fantasia, mas Marcelino Melo, morador do Campo Limpo, a realidade era outra. Ter rodas seria comprar um moto, que poderia oferecer um transporte particular próprio, e ter asas era comprar um “drone”, aparelho que ele nunca havia manuseado antes.  

O impacto causado pela série de fotos aéreas, que revelaram a assustadora mudança do cemitério São Luiz provocada pelo Covid-19, e o apelido “menino do drone”, indicam não só qual foi a escolha, mas também que voar é que o move a vida de Marcelino. A série Código de Barras não mostra o crescimento do cemitério cão Luis e sim a mudança de paisagem que o cemitério sem sofrendo com o avanço da pandemia

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“ Sobrou uma indenização após a morte do meu pai, eu pensei em comprar uma moto, mas nem habilitação tinha….havia o medo de acidente também. Pesquisando em sites de vendas de coisas usadas, vi um drone, fiquei com vontade, só que a grana não dava, após muito pechinca, rolou”, lembra.

 

Com o nome “Código de Barras”, a primeira foto do cemitério foi tirado no 17 de abril e o trabalho continua em curso. “Foi um processo muito doloroso. São cinco meses vendo essas imagens e ficando em choque, sem acreditar no que está acontecendo”, explica. O menino do drone conta que vê a morte tão de perto tem gerado um impacto grande em como ele enxerga a própria vida.

 

Além das fotos aéreas com o Drone, Marcelino também trabalho como produtor visual e o que o que mais desperta a sua sensibilidade. Além dos vôos, ele toca o projeto "Quebradinha", série de miniaturas feitas com material reciclável que materializa pensamentos e imagens sobre a vida nas favelas, além de refletir sobre a habitação nas comunidades de todo o país.

 

Porém, a vida tem que o privilégio de enxergar “o que só os passarinhos conseguem ver”, como ele mesmo brinca, não é feito só de vôos altos. Em julho, o menino do Drone foi só um “menino” depois que seu drone caiu e teve que ir para o conserto, mas não ele não tinha grana para o serviço. Nisso veio a ideia da rifa.

 

“A minha namorada me apoio muito, ele falou que em uma semana eu conseguiria com os 3 mil reais com a rifa”. Ele confessa que duvidou porque não achava que tinha tanta gente que acompanhava e apoiava o seu trabalho. “Em dois dias, eu consegui a metade. A rifa era para durar 17 dias, mas esgotaram os números do sorteio em dez dias”, ele conta, comemorando o quanto a experiência foi recompensadora ao perceber a rede de apoio que tem ao seu lado.

 

Natural do sertão de Alagoas, Nenê diz que o seu grande sonho é voar na terra natal da sua família.  Morando há quase dez anos em São Paulo, ele conta que só voltou para sua terra de origem duas vezes, mas ainda não tinha a mesma visão de mundo e bagagem cultural que tem hoje. “Teve um dia que eu sonhei que estava no sítio da minha vó voando, quando acordei fiquei chateado de ver que era só um sonho”.


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