Marcelo Rocha: Arte como forma de profecia nas quebradas

marcelo rochaa
Enxergar esperanças, enquanto denúncia exclusão. É assim que Marcelo Rocha explica a mensagem da frase “o Brasil tem vários profetas nas quebradas” presente na série audiovisual “Outras Quarentenas”. Composta por 4 vídeos, as histórias narradas falam da crise social provocada pelo Covid-19, mas também falam das crises constantes de exclusão, de genocídio, sem esquecer de falar de fé e resistência.

Fotógrafo, diretor de cinema e ativista em educação, Marcelo fala que a inspiração para a série veio do questionamento: “Como a população brasileira vai ficar de quarentena? Enquanto a TV e a Internet dizem ‘fique em casa e faça yoga’, a população está morrendo na rua”, observa. É nesse sentido que a série explora como a ‘quarentena’ não é a mesma para a toda a população.

Apesar da crítica e da lamentação, Marcelo não deixa de pontuar a capacidade da população excluída lutar por assumir o controle sobre a sua vida, assumir o protagonismo na busca pelo seu direito de existir.

“Nessas andanças que eu fiz pelas periferias de São Paulo, em tudo material que eu fiz e também naquilo que recebi, a relação com a fé está muito presente. A periferia responde a esse abandono, a essa exclusão com a força dos líderes comunitários, dos vários agente de transformação ali presentes”, pontua. Marcelo acredito que é natural que a relação com a fé esteja presente e seja uma forma de expressar a resistência.

“Seja os povos indígenas, seja as pessoas que foram pegas da África, a relação com o ‘sagrado’ sempre foi muito forte e continua sendo”. Marcelo identifica nisso um elemento essencial de articulação e de resistência, além de fator de rejeição à figura  de um salvador vindo de fora, “elas estão lutando e resistindo por si mesma”.

A respeito do seu trabalho, tanto como fotógrafo e diretor, Marcelo usa a definição de uma amiga, a diretora Raquel Daniel , para dizer que ‘enquanto houve o cinema de retomada (o cinema novo) , eu faço a fotografia de ‘tomada’, de tomar esses espaços, trazer novas narrativas, tudo isso para ressignificar imagens distorcidas a respeito da população brasileira”.

Além da série “Outras Quarentenas” que pode ser vista clicando aqui, desde o início da quarentena, Marcelo tem recebido, sempre às quinta-feira, profissionais negros, de todas as regiões do Brasil, para falar sobre o trabalho delas, no que atuam e no que estão fazendo.

Rocha ganhou, em 2019, o prêmio Miguel Arcanjo pela série “São Paulo na visão dos Cria”, mostra fotográfica que, a partir de oficinas de fotografia, reuniu fotografias produzidas por jovens da periferia e egressos do sistema socioeducativo sobre suas visões dos territórios da cidade de São Paulo.


Edições anteriores
Envie seu evento
Conheça nossos pontos de distribuição
Quem Somos
Entre em contato
Marca da Agenda
Expediente
                       
               Patrocínio Apoio Realização
     
 Fundação Casa  Itaú Cultural