Fui Feita Pra Vadiar - Tributo às Mulheres do Samba: um cântico de exaltação à vadiagem e à liberdade


ensaio mulheres 

Um grito, um canto que nasce nos pulmões, atravessa o corpo, mistura-se com o sorriso e ganha a vida pela voz, mãos e pés de mulheres negras. Fui Feita Pra Vadiar - Tributo às Mulheres do Samba abre, no dia 25/08, o 9º Encontro Estéticas das Periferias. O espetáculo promove a inédita reunião de seis dos mais importantes grupos femininos de samba de São Paulo. O evento começa às 19h, no Auditório Ibirapuera. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente com uma hora de antecedência.

 

Sheila Donio, diretora cênica e stage manager, confessa que o resultado da reunião dessas cantoras, atrizes e compositoras foi surpreendente desde o primeiro encontro. “Cheguei na primeira reunião do show com o coração aberto para pensarmos como colocar 50 mulheres no palco, como abrir e fechar o show, etc. Mas, aos poucos, fui entendendo que esse elenco é muito mais incrível e importante para a história do samba do que eu poderia imaginar”.

 

Os grupos que formam o espetáculo são: Amigas do Samba, Samba de Dandara, Samba Negras em Marcha, Samba da Elis, Pura Raça e Sambadas, além das atrizes Palomaris e Regina Santos. Há ainda a participação de cantoras e compositoras convidadas. samba mulheres

 

Para Paloma Amorim, roteirista do texto, a mensagem de  “Fui Feita pra Vadiar” é o nascer daquilo que nunca morre: “é uma síntese de resistência, sobretudo das mulheres negras que produziram e produzem a história da cultura brasileira”. Além de uma exaltação das histórias das mulheres no samba e da mudança promovida por aquelas que não se enquadram no imaginário machista da “Amélia”, a peça é ousada e direta ao criticar a idealização do trabalho como forma de vida.

 

“Todas as pessoas foram feitas para vadiar. Trabalho danifica o sujeito. Nós, mulheres, apenas estamos afirmando que também podemos ocupar o espaço da liberdade, que é público e privado, associado à ideia transgressora da vadiagem”, pontua. 

 

“Fui Feita Pra Vadiar” é mais um dos marcos históricos e de qualidade artística promovido por mulheres sambistas, as quais, como dizem uma das letras do espetáculo, têm o samba como adivinho, o cavaco como bússola, um surdo em cada coração. “Hoje é noite de alegria. Hoje ninguém será capaz de nos segurar. Não solto a mão da liberdade. É tempo de vadiagem”.

 

Saiba mais sobre os grupos:

 

Amigas do Samba: o grupo surgiu em agosto de 2011. É um movimento sociocultural de sororidade que incentiva a reflexão e a conscientização sobre a questão da crescente violência contra a mulher. A música, especialmente o samba, é ferramenta primordial nesta luta.

Samba de Dandara: é música de empoderamento e exaltação às mulheres sambistas, às grandes compositoras, às grandes intérpretes, às guerreiras do samba. A banda constrói um debate pautado na ancestralidade, no protagonismo feminino e em discussões sobre os espaços ocupados pelas mulheres no universo do samba e na sociedade.

Pura Raça: fundado em julho de 1988 no Jardim Nordeste, Zona Leste de São Paulo, o Pura Raça traduz o sentimento dessas mulheres fortes, amigas e companheiras. São 31 anos ininterruptos em busca do reconhecimento e do respeito no meio musical, resistindo e brigando pelo lugar da mulher no samba.

Samba Negras em Marcha: surgiu em 2015, a partir da reunião de mulheres negras que se mobilizavam para a Marcha das Mulheres Negras daquele ano. Utilizando suas habilidades nas artes como ferramenta de luta e afirmação, elas uniram forças para fazer do samba e de outros ritmos afro-brasileiros o pano de fundo das bandeiras de luta contra o racismo, o machismo e a LGBTfobia.

Samba da Elis: um encontro que acontece, há quase quatro anos, todo terceiro domingo do mês na Praça Elis Regina. O espaço visa ampliar a representatividade feminina no samba e na música, ao incentivar a participação e criar oportunidades para as mulheres, como musicistas, cantoras ou compositoras, por meio da realização de rodas abertas e apresentação de grupos.

Sambadas: surgido a partir de um encontro em homenagem às mulheres e ao samba no 8 de março de 2015, o grupo Sambadas tem atuado na busca por sonoridades rítmicas associadas às manifestações da cultura popular negra do estado de São Paulo.

Palomaris: é atriz, cantora e compositora. Formada em 2018 na Escola de Arte Dramática (EAD) - ECA/USP. Atualmente integra o coletivo Legítima Defesa e compõe o Núcleo Pé de Zamba, que pesquisa a cênica contemporânea. É cantante e batuqueira no grupo Gabiroba – Roda de Congo do Espírito Santo. 

Regina Santos: é bailarina e coreógrafa com formação em danças de matrizes africanas e afro-brasileira no Brasil, Senegal e França. Faz parte do Bloco Afro Ilú Obá de Min e do Bloco Afirmativo Ilú Inã. Historiadora e educadora, desenvolve trabalhos e pesquisas com enfoque nas temáticas das mulheres negras.

Sheila Donio: é atriz, professora e diretora de teatro com larga experiência no Brasil e no exterior desde 1992. Viveu nos Estados Unidos de 2008 a 2015, onde se formou pelo Centre for Playback Theatre e se especializou em artes para a transformação social pela Brandeis University. É a fundadora e diretora artística da companhia teatral Cria Playback.


Paloma Franca Amorim: é escritora e sambista. Nasceu em 1987 na cidade de Belém do Pará, na região amazônica. Autora do livro de contos e crônicas "Eu Preferia Ter Perdido um Olho" (Editora Alameda), atualmente escreve para o site Opera Mundi. Integra o grupo Sambadas de mulheres sambistas e ativistas da cultura popular. 

 


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