Elizandra Souza: Receber poemas foi uma chuva de bençãos virtuais

Fernando Solidade
A poesia que salva e que mata saudades das ruas, das aglomerações. A escritora,  editora e jornalista Elizandra conta que foi uma “chuva de bênção virtual para todas nós que recebiamos um poema por dia com mulheres do Brasil inteiro”. Essa “chuva” foi resultado da convocação feita pelo instagram Literatura Negra Feminina, idealizado pelo Coletivo Mjiba. O resultado das dezenas de poemas enviados pode ser vistas aqui compõe o projeto “A arte que liberta não pode ser confinada”, parceria da Ação Educativa com o Instituto Moreira Salles.

Elizandra confessa que o início do isolamento social provocado pela pandemia do Covid-19 deixou-a anestesiada, com dificuldades de fazer algo que fosse para além do cuidado das necessidades básicas, além da pressão criada pela ideia de ser ‘produtivo em casa’, da idealização do home-office.


“Nessa loucura toda estava sendo impossível ser criativa ou fazer algo.  Mas veio a ideia de convocar as seguidoras da página para fazerem poesias para o autocuidado e sobre (vivência). Nestes quase  40 dias postando um poema por dia,  muitos dias só levantei porque precisava fazer essa arte para que as seguidoras pudessem ter um poema por dia”, confessa.


Postadas no perfil do Instagram Literatura Negra Feminina, os 40 poemas, todos com uma arte exclusiva, são acompanhados com uma breve biografia de cada uma das autoras. Elizandra comemora o fato dessa ação cultural ter salvado os seus dias e espere que siga dando frutos: “Penso que se eu conseguir oportunidades poderia ser uma ótima  antologia impressa, pois os textos são bem potentes e nos salvou por esses dias”, conta.  


A estratégia de promover um espaço para a divulgação dos poemas, a maioria inédita, de escritoras de todo o Brasil - e até de outros países, surge como uma preocupação e ação de garantir que as mulheres negras escritoras possam superar “ a invisibilidade, machismo e racismo” que se fazem presente também nos espaços virtuais.


Por fim, ela explica que autocuidado é a busca por cuidar de si mesma, dando a devida atenção a todas as necessidades que o corpo e a mente requerem do indivíduo, para preservar a boa saúde física e metal. Já a sobre(vivência), é o conjunto de práticas emergenciais que “treinadas e aplicadas em situações extremas, permitem ao indivíduo prolongar a sua vida e manter-se fisicamente integro, permitindo-lhe o resgate ou que encontre uma saída para os problemas”.

Dias antes de oficializar a quarentena na Cidade de São Paulo, a escritora havia  lançado seu novo livro " Filha do Fogo - 12 contos de amor e cura"  em  04 de março de 2020 na Ação Educativa.  "Quando veio a pandemia eu estava recém parida como o nascimento do meu livro, com a divulgação da obra em curso".


Edições anteriores
Envie seu evento
Conheça nossos pontos de distribuição
Quem Somos
Entre em contato
Marca da Agenda
Expediente
                       
               Patrocínio Apoio Realização
     
 Fundação Casa  Itaú Cultural