Covid-19: “A gente toma o baque, sofre com o veneno e depois pergunta: tá, mas o que a gente vai fazer agora?”

Lambe lambes são colocados em paredes do distrito da zona leste Reprodução Facebook 1

Distribuição de alimentos, carro de som com mensagens de alertas, zine informativos, reproduções de avisos em paredes de prédios...A dimensão e quantidade de ações para enfrentar o Covid-19 talvez só se compare com o tamanho da crise causado pelo novo coronavírus.

A Agenda da Periferia conversou com Gil Douglas, um dos responsáveis por tocar o Movimento Cultural Ermelino Matarazzo. “Aqui na quebrada a gente toma baque, sente, e tem que se perguntar: eaí, o que a gente pode fazer agora? Como a gente consegue amenizar? Como amenizar o dano?”, explica. Gil Douglas

Os números da região são bastantes preocupantes: Até 17 de abril, a subprefeitura de Ermelino Matarazzo registrou 91 casos, com 32 óbitos confirmados. Um índice de letalidade de 35%. Enquanto outras regiões periféricas apresentam números críticos Paralheiros chega a 50%, Cidade Tiradentes a 39%. Por outro lado, regiões ricas tem letalidade muito menor: Pinheiros tem 5% e Butantã 11%. A Agência Mural fez um levantamento o qual revela que, enquanto a letalidade da cidade de São Paulo é de 15%, diversos bairros periféricos estão acima de 30%

Gil pontua que o primeiro problema que eles observaram foi a forma como a informação chegava, o que acabava dificultando que as pessoas entendessem a gravidade da situação e soubesse como agir para se protegerem. “A informação chegava muito engessada, a gente viu que ia precisar traduzir isso, falar de um jeito que geral entendessem.”
Por isso a Ocupação teve a ideia de produzir zine informativos e colar lambes com explicações e avisos básicos. Um dos cartazes, por exemplo, diz para evitar o aperto de mãos e só dar “um salve a distância”. Em uma live com a presença de outros grupos e movimentos culturais da periferia de São Paulo, Gil ressaltou a importância dos movimentos terem essa cultura de rede, de estarem conectados e de como isso é produtivo.

“O pessoal da  contou que tava colocando carro de som para avisar para pessoas evitarem sair na rua, se cuidarem… Na hora a gente decidiu que íamos fazer a mesma coisa no Ermelino Matarazzo”,comenta. A parceria vai além da importante troca de ideias, Gil explica que quando um movimenta ganha um pouco a mais de chocolates, divide com outra, se recebe uma doação considerável de álcool em gel, vai lá e reparte.

 

Movimento Cultural de Ermelino entregou mais de 300 cestas básicas durante a pandemia Reprodução Facebook


Para finalizar a conversa, a Agenda perguntou como ele imagina que as coisas vão ser depois que a epidemia passar, se a sociedade será mais solidária, se algo vai mudar nas relações.

“Na periferia, a gente não tem síndrome do Quico (o cara que tem muito, gosta de exibir que tem e não compartilha). Esse sentimento já tinha antes, de ver o vizinho no veneno, colar com ele e ajudar. Agora o dona da empresa vai continuar se achando o dono do mundo,que o negócio é ele ficar em casa e se cuidar e o empregado sair pra trabalhar pra ele”, explica.


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