Clima Estranho: Samba-canção dá ritmo e expõe as incertezas do mundo futuro

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A morte tratada com uma leveza e beleza única marcou os versos da  música “Na Cadência Bonita do Samba”, de Ataulfo Alves. Em tempos de Covid-19, o clime melancólico, introspectivo e denso causado pelos traumas do presente e incertezas do futuro ganham ritmo e cadência no samba canção "Clime Estranho" do trio Okeukerê.

O samba inédito integra o projeto “A Arte que liberta não pode ser confinada”, fruto da parceria da Ação Educativa com o Instituto Moreira Salles. Este e outros trabalhos da mostram podem ser acessados aqui.

Na conversa com a Agenda da Periferia, Rafael Pinho conta que o grupo Okeukerê é formado por ele, Buia Kalunga, Jhony Guima. O nome do grupo Okeukerê é uma referência a forma como se pronúncia, em algumas regiões da Bahia, a frase ‘o que eu querer’, o nome é “um indicativo que estamos no controle das nossas próprias narrativas sobre as nossas perspectivas de mundo”, explica Pinho.


Por quê o título "Clima Estranho"? Qual foi a inspiração para esse samba?

O intuito deste samba é retratar algum aspecto do momento atual. O covid19 esta sendo algo que irá mudar as relações nos mais variados âmbitos e  torna-se inevitável o estranhamento com o que pode acontecer daqui pra frente, sendo assim, 'Çlima Estranho"vem com essa cadência mais pra trás e com uma melodia que suscita a reflexão com o cenário atual.
 
Conte um pouco sobre a história do grupo "Okeukerê" e qual o significado dessa palavra?
O grupo é formado por três componentes; Buia Kalunga, Jhony Guima e eu, Rafael Pinho. Tive a honra de conhecer esses dois incríveis artistas e grandes seres humanos no projeto que atuamos juntos pela a Ação Educativa e assim nos tornamos amigos e nos juntamos para fazer esse som.
Okeukerê é uma referencia a frase, segundo a norma ortográfica, Ö que eu querer". É muito comum lá pas bandas da Bahia as pessoas pronunciarem essa expressão da forma que nomeamos o grupo. Para alem disto, é um indicativo que estamos no controle das nossas próprias narrativas sobre as nossas perspectivas de mundo.
 
Samba é um estilo que, quase automaticamente, remete a ideia de coletividade...de estar junto. Como é, sendo um sambista, pensar e imaginar um cenário que separa sampa de reunião, de encontro?
Primeiramente eu não tenho peito para dizer que sou sambista, estou muito distante de ocupar este honrado lugar, mas é fato, fizemos um samba e o samba, assim como qualquer um dos muitos elementos oriundo da cultura Afrobrasileira, só tem sentido de ser no coletivo. Um do grandes elementos , que pedagogicamente o samba no ensina, é a capacidade de saber "dar um jeito na situação" por mais complicada que seja, então, foi dessa lição que fizemos uso para realizar este trabalho.
 
O seu trabalho com arte educação para jovens, que cumprem medida sócio educativa em privação de liberdade, influência a sua produção artística?
O trabalho com arte educação influencia a minha produção artística assim como minha produção artística influencia meu trabalho com arte educação, são indissociáveis.
E muito complicado analisar o descompromisso do governo do estado na forma como encarcera jovens, majoritariamente negros e em sua totalidade periféricos, principalmente por ser notório quantos talentos estão sendo desacreditados e desincentivados atrás da porcaria de um grade num momento tão importante como a adolescência, você não sai ileso ao lidar com essa experiência. Ainda assim, a arte representa o campo onde a dor, a tristeza, a saudade podem ser resignificados e nos transformar em qualquer coisa que quisermos ser. SE HÁ ALGO NO QUE EU ACREDITO É NA ARTE!



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