Brisa Flow: O futurismo indígena canta sobre os povos que sobreviveram a várias pandemias

Lryssa Machada 


por Paulo Pastore

A busca pelo Sol, tanto na sua dimensão natural de estrela, como na sua expressão espiritual e cultural, o mais novo som rapper Brisa Flow, “Hija de Kuyen procurando o Sol”, inspirado na história mapuche,  narra a trajetória das hijas de Kuyen ou as “filhas da lua”. Na cultura Mapuche, a Lua e o Sol são apaixonados e procuram um pelo outro durante o dia.

 

“Procurando pelo sol é como tenho me sentido. Se faz mais do que necessário nestes tempos ouvir e aprender com os ancestrais dos povos latino-americanos, que sobreviveram a várias pandemias, os guardiões da floresta”, explica. 

 

Brisa Flow é uma das principais representantes do  futurismo indígena, movimento cultural, político e social que visa reafirmar, defender e expressar a existências dos povos indígenas, do pertencimento a terra e de valorização da sua própria cultura e forma de existir. A artista tem dois discos solos lançados: Newen (2016) e Selvagem como o vento (2018). 

 

“Assim como  o afrofuturismo, o futurismo indígena soma-se a essas ações culturais que tem como objetivo  desconstruir  esse olhar de fora que marcou a história cultural. E, ainda hoje, é experimentado por aqui, o olhar do colonizador ainda é imposto. O futurismo é uma prática decolonizadora, que acrescenta ferramentas da tecnologia a essas estratégias de luta”, explica. 

 

AbimaelA artista explica que deixou de usar  o termo “América Latina” ou “música latina” para se referir ao próprio trabalho e também sobre suas fonte de inspiração, exatamente pelo esforço de desconstruir o discurso feito pelo colonizadores a respeito dos povos daqui. “ Eu prefiro chamar de Abya Yala nome que, na língua Guna, significa ‘terra em plena maturidade’ ou ‘terra de sangue vital’ e é usado para definir a América antes da invasão de Colombo”.

 

Filha de imigrantes chilenos, com sangue da etnia Mapuche nas veias, a artista  nasceu no estado de Minas Gerais e hoje vive na cidade de São Paulo. Ela lembra que parte da sua infância foi bem solitária, devido a diferença que ele tinha em relação a outras crianças “porque era vista como índia, diferente dos outros”.

 

Sobre o contato com o hip-hop, Brisa é direta: “O hip hop foi uma cultura preta que salvou minha luta”. Ela conta que o hip-hop, assim como é um instrumento de luta da população negra, alia-se a integra a luta dos povos e grupos que resistem a colonialidade. “


“Desde que conheci a cultura hip hop senti que era uma forma de defender e expressar os versos dessa luta dos povos. O rap é uma musical ancestral”. 

 


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