André Firmiano: Artista representa as formas de isolamento historicamente impostas a população negra

1080px ecos 1024x756
Uma vida - ou toda a história de um povo - marcada por um isolamento social. O artista plástico e pintor André Firmiano parte da experiência da quarentena provocada pelo Covid-19 para representar, no seu mais recente trabalho, a forma como ele percebe e sente a realidade da população negra, boa parte impossibilitada de cumprir recomendações sanitárias e alcançada pelas mazelas econômicas


“É uma forma de encarar a existência e a sobrevivência dentro de uma lógica de "não lugar" trazidos pelos processos diaspóricos da nossa sociedade”, explica o artista. André explica que adota a narrativa afrodiaspórica no seu trabalho porque essa é sua escolha, enquanto artista negro, de desenvolver um “fazer artístico com a função social de ressignificar os símbolos e matrizes dos colonizador sob os colonizados”


As três obras podem ser acessadas aqui. Elas fazer parte do projeto “A Arte que liberta não pode ser confinada”, fruto da parceria da Ação Educativa com o Instituto Moreira Salles. Este e outros trabalhos da mostram podem ser acessados aqui.


O seu trabalho é apresentado como narrativas da perspectiva afrodiaspórica. Por quê essa escolha artística e o que representa para você adotar essa linha?
Enquanto afrodescendente a minha escolha artista é de representar a forma com que eu entendo e me relaciono com a realidade em minha volta, tendo em vista que existem nas artes plásticas lacunas com falta de representatividade e que aos pouco vem sendo preenchidas por movimentos artísticos afrodiaspóricos, que chancelam a importância de tomar as narrativas por pontos de vistas pouco retratados até então. Também, acredito que as temáticas são reflexos do meu período histórico e social que vão além da estética ao ponto que meu entendimento com o tema se aprofunda e assim complementando o fazer artístico com a função social de ressignificar os símbolos e matrizes dos colonizador sob os colonizados.


arquivoAlém da questão diáspora africana, tem alguma unidade ou discurso que aproxima os seus trabalhos no projeto "A arte que confina..."? Ou são obras independentes?
Creio que sempre representei de uma maneira não linear mesmo dentro de formas figurativas, um conflito de forças simbolizando a figura humana como metáforas para questões sociais e existenciais, o isolamento como entendimento do interno\externo é uma constante para além do projeto "A Arte que Confina" mas que se encaixa bem em minhas.


O seu trabalho como arte educador para adolescentes que cumprem medidas socioeducativas influência o seu trabalho enquanto artista?

Claro que o trabalho enquanto educador, principalmente com adolescentes privados de liberdade alimentam as minhas temáticas e propõem uma troca de experiencias importante em que jovens se identificam e experimentam o lado lúdico, muitas vezes deixado de lado pelas objetividades e as urgências do capital que essa população muitas vezes vulneráveis enfrentam.


Todo esse contexto provocado pelo Covid-19, afetou de alguma forma, o seu trabalho artístico, o seu olhar de artista em relação ao mundo?

De certa forma o momento complexo trazido pelo Covid-19 apenas amplificou urgências a muito tempo existentes. Ao refletir sobre o "isolamento social" proponho o olhar ao quão isolados a população preta se encontra do bem estar social, desde a impossibilidade de cumprir recomendações sanitárias, as mazelas econômicas, e a importância do agrupamento como forma de encarar a existência e a sobrevivência dentro de uma lógica de "não lugar" trazidos pelos processos diaspóricos da nossa sociedade.


Edições anteriores
Envie seu evento
Conheça nossos pontos de distribuição
Quem Somos
Entre em contato
Marca da Agenda
Expediente
                       
               Patrocínio Apoio Realização
     
 Fundação Casa  Itaú Cultural