Afrofuturismo: A Literatura como forma de projetar a presença do negro no futuro, sem esquecer o passado

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“Quando eu penso no futuro, não esqueço meu passado”. Ao que tudo indica, Paulinho da Viola não fez esses célebres versos pensando no movimento do Afrofuturismo, mas, apesar disso, a letrad do samba funciona bem para resumir o que o escritor Israel Neto apresenta o conteúdo do movimento que visa unir “África” e “futuro”.

“Afrofuturismo é uma ação política, estética e cultural que projeta a presença negro no futuro sob o olhar do artista negro, mas também, estuda a contribuição da África no mundo nas diversas épocas do passado e também no presente. Na literatura, ela tem uma ligação muito forte com a ficção científica”, explica. Além de escritor, Israel Neto é DJ e produtor musical, e desde de 2018 mantêm a editora Kitembo Literária.

“Os planos secretos do Regime”, último livro de Neto, explora de maneira empolgante o  sincretismo entre passado, presente e futuro com a questão racial. A história se passa entre os anos de 1969 e 1972, os militares, com acesso a tecnologia vinda do futuro, conseguiram dar um golpe de Estado e instalar uma ditadura no Brasil. Os protagonistas da resistência popular são três jovens negros.

“ Para além da questão de falar da tecnologia, da ficção científica. Eu quis fazer colocar o protagonismo negro no centro da obra, porque nas histórias que a gente ouve sobre a resistência, em geral são pessoas brancas que lutaram. Fala-se muito pouco das mulheres e homens negros que se organizaram e também sobre o impacto da ditadura nas periferias”, observa.

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A história faz referência ao momento político atual do Brasil. “A discussão política em 2018 mexeu muito com tudo mundo. Eu sonhei com o primeiro capítulo”, confessa. Sobre o próximo livro, ainda em curso, Israel não dá muito detalhes “para evitar spoilers”, mas adianta que “Space Ópera” é inspirado em histórias como Jornada nas Estrelas e Star Wars.

Como boa parte dos aficcionados pela ficção científica, Israel deu os primeiros passos nesse mundo através dos desenhos, filmes e mangá: “Eu via as histórias e ia desenhando, reescrevendo elas’. O contato com a questão a questão racial e com a cultura africana, levou a uma reflexão sobre a necessidade contar a história de “heróis e cientistas negros”.

“Quando fui ver quem escrevia literatura fantástica no Brasil era só pessoas brancas. A gente precisa entrar nisso, mudar essa história”, conta. Esse desejo de mudança é parte do que motivou a criação da Kitembo, Edições Literárias do Futuro. Alguns dos livros publicado pelo selo são: "Amor Banto em Terras brasileiras" e "Antologia Afrofuturismo "O futuro é Nosso", vol. 1".

“Kitembo é o Nkisse do Tempo em algumas tradições do universo das culturas e povos Bantos, sendo assim o senhor do passado, presente e futuro, vindo de encontro a nossa ancestralidade e atemporalidade resolvemos homenageá-lo batizando nosso selo com seu santo nome e legado”, finaliza.


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